Não fazer nada
Lucrécia senta-se num banco à beira do jardim, abre o livro,
mas nessa tarde não consegue ler; chega à última linha da página e não sabe o
que leu. Quando isso acontece, o melhor é descansar a cabeça; não adianta
insistir.
Durante a manhã esteve a ouvir música, daquela que dizem que
alivia dores, mas como não sentiu alívio, escutou ainda, durante mais de uma
hora, música para harmonizar e relaxar … Por alguma razão, nem uma nem outra
fizeram o efeito esperado e ficou também com a cabeça cansada. Porque será que
a música, por vezes, a cansa; deve ser por não saber escutá-la ou por ser dura
de ouvido. Então hoje, nem leitura nem música. Talvez meditar. Para uns,
meditar é apaziguar o cérebro, afastar pensamentos negativos. Para ela é pensar
acerca de algo ou deixar flanar o pensamento. Também não lhe apetece fazê-lo;
talvez meditar a sério, esvaziar o cérebro, mas ali não lhe parece
aconselhável, sabe-se lá se não entra em transe e ainda pensam que enlouqueceu
e chamam a ambulância. Então meditar também não. Não é fácil não fazer nada;
estamos sempre a fazer alguma coisa, mesmo que pareça que não. Tem um livro que
ensina a não fazer nada. Talvez seja altura de pegar nele e praticar.
Isto quando se sentir em condições de fazer alguma coisa. Mesmo
que essa coisa seja não fazer nada.
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