terça-feira, 26 de maio de 2020

TEORIA, A DA SÉTIMA ARTE
Aqui há uns tempos, por diversão, escrevi isto: 
Que filme
Estou dentro dum filme
Como vim aqui parar?!
Não sei o guião!
Desconheço o tema!

Não me atrevo a sair
Mesmo quando detesto a cena
Estou presa na película

Se dela me descolar
Já me disseram:
Não podes voltar a entrar!

E eu lá vou ficando
Já me aborrece este filme
E mais, de assistir a tantos,
Tantos outros!

Actuo, assisto
Assisto, actuo

Até quando?!
Mal sabia eu, que os filmes são reais e que filmes como “Branca de Neve”, de que muitos se lembrarão, que por acaso é quase todo a preto e o realizador transforma os espectadores em espectáculo, poderia um dia proliferar por aí, em milhares de cópias exactamente como um vírus, que se replica e que, por acaso,  também não se vê, como o filme, onde, porém, irrompe, por vezes, luz e cor, o que não está a acontecer neste filme que estamos a “rodar”, e replicado, embora alguns “abençoados” consigam percepcionar essa “luz”.

 No filme acima mencionado, o espectador é “obrigado” a fechar os olhos e a “entrar” no vazio (ou escuro) da tela e a duvidar, nem sabe bem de quê. Como “neste”. Só que “neste” ninguém sabe se é apenas espectador, figurante ou se é chamado para protagonista.

Sempre ouvi dizer, aqui e ali, que a vida é complicada, que é difícil, que é isto, que é aquilo, mas raramente que é ficção e muito menos científica ou cinematográfica. Tão pouco experimental. Nem milhões na mesma tela, numa cena mundial; todos já para casa, ou querem ser …?! Não é que funcionou mesmo! Claro que há sempre uns espectadores, ou mesmo figurantes, assim como umas ovelhas tresmalhadas, que as há em todos os rebanhos, mas de resto, rico e pobre, mau e bom, ateu, agnóstico, cristão ou outra, ingressou nas suas cavernas, umas apinhadas e sem condições, outros nem buraco quanto mais cavernas, mas outros em autênticas cavernas de Ali Babá, com jardins invisíveis ao comum dos mortais que não façam parte dos quarenta ladrões, e suspensos, como se estivessem no Éden. Enfim, figurantes privilegiados. Há-os sempre. E em todo o lado.

E muitos solitários. Uns deleitaram-se. Outros vegetaram.  Ainda outros, soçobraram, tal Titanic. Muitos sobreviveram. É a vida; em filme.

Muita gente já terá visto aquelas fitas em que os monstros se replicam, surgem de todo o lado, em qualquer parte e vão devorando tudo e todos, e, só mesmo, mesmo no final, quando tudo parece perdido, há um herói que os consegue ludibriar, precisamente por ter escapado à percepção daqueles, vence-os e liberta as populações que se tinham refugiado nas catacumbas e das quais, concentrados em tanto monstro a atacar, como espectadores já nem nos lembrávamos. Para resolver situações, que parecem insolúveis, há sempre pelo menos um herói, por vezes dois, um casal de preferência e se beijam no grande final, que agora todos se deixaram de beijar, embora se acredite que não há vírus capaz de separar os que o verdadeiro amor uniu.

Só se for no próximo filme.

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