Aqui há uns tempos, por diversão, escrevi isto:
Que filme
Estou dentro dum filme
Como vim aqui parar?!Não sei o guião!
Desconheço o tema!
Não me atrevo a sair
Mesmo quando detesto a cena
Estou presa na película
Se dela me descolar
Já me disseram:
Não podes voltar a entrar!
E eu lá vou ficando
Já me aborrece este filme
E mais, de assistir a tantos,
Tantos outros!
Actuo, assisto
Assisto, actuo
Até quando?!
No filme acima mencionado, o espectador é “obrigado”
a fechar os olhos e a “entrar” no vazio (ou escuro) da tela e a duvidar, nem
sabe bem de quê. Como “neste”. Só que “neste” ninguém sabe se é apenas espectador,
figurante ou se é chamado para protagonista.
Sempre ouvi
dizer, aqui e ali, que a vida é complicada, que é difícil, que é isto, que é
aquilo, mas raramente que é ficção e muito menos científica ou cinematográfica.
Tão pouco experimental. Nem milhões na mesma tela, numa cena mundial; todos já
para casa, ou querem ser …?! Não é que funcionou mesmo! Claro que há sempre uns
espectadores, ou mesmo figurantes, assim como umas ovelhas tresmalhadas, que as
há em todos os rebanhos, mas de resto, rico e pobre, mau e bom, ateu, agnóstico,
cristão ou outra, ingressou nas suas cavernas, umas apinhadas e sem condições,
outros nem buraco quanto mais cavernas, mas outros em autênticas cavernas de
Ali Babá, com jardins invisíveis ao comum dos mortais que não façam parte dos
quarenta ladrões, e suspensos, como se estivessem no Éden. Enfim, figurantes
privilegiados. Há-os sempre. E em todo o lado.
E muitos
solitários. Uns deleitaram-se. Outros vegetaram. Ainda outros, soçobraram, tal Titanic. Muitos
sobreviveram. É a vida; em filme.
Muita gente
já terá visto aquelas fitas em que os monstros se replicam, surgem de todo o
lado, em qualquer parte e vão devorando tudo e todos, e, só mesmo, mesmo no
final, quando tudo parece perdido, há um herói que os consegue ludibriar, precisamente
por ter escapado à percepção daqueles, vence-os e liberta as populações que se
tinham refugiado nas catacumbas e das quais, concentrados em tanto monstro a
atacar, como espectadores já nem nos lembrávamos. Para resolver situações, que
parecem insolúveis, há sempre pelo menos um herói, por vezes dois, um casal de
preferência e se beijam no grande final, que agora todos se deixaram de beijar,
embora se acredite que não há vírus capaz de separar os que o verdadeiro amor
uniu.
Só se for no
próximo filme.
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