sábado, 27 de junho de 2020



ANSIEDADES DE UMA VELHA – V 
À DESCOBERTA 


Judite persiste na descoberta dos ditos benefícios do vírus; se dizem que os há, é uma questão de não desanimar e de procurá-los, nem que primeiro se chegue às Índias Ocidentais e se chame índios aos indígenas da América descoberta por Cristóvão Colombo e que anos depois se verifique que o caminho ,afinal, era para a esquerda.
O vírus dignificou o funcionário público, aquele que dá a cara, que ganha mal, que informa o pobre público dos direitos que tem e dos que não tem, e este, o povo não quer saber: exige os direitos que o pobre funcionário não pode dar e é, Não, era ameaçado. Dias e épocas em que o pobre funcionário não podia respirar, nem sequer dali sair para comer, porque primeiro os direitos do povo, que não tinha culpa que o funcionário fosse de carne e osso.
O funcionário pode agora fazer o seu trabalho dignamente, sem barulhos, sem exigências, sem ouvir reclamar que alguém passou à frente.
Agora, um de cada vez, no sossego que um trabalho atento e eficaz exige. Finalmente! Foi preciso tanto, para tão pouco.
E a que custo! Para todos. Ou quase.
O vírus impõe máscaras para ambas as partes. Ambos açaimados, praticamente irreconhecíveis, sem que se possa adivinhar o esboço dum sorriso empático, por vezes tão benéfico, e o restante público lá fora, chamado através de marcação prévia, ao sol, ao vento, à chuva. Por falar em chuva, a primavera “viral” trouxe dias fantásticos para agricultura, para a jardinagem, para ir às farmácias e ser atendido ao guichê, aos correios, aos serviços públicos, aos bancos, tudo um de cada vez, perfeitamente distanciados, como convém para o bem colectivo.
É para renovar o CC. Só com marcação, e olhe que tem de ir a Beja. A Beja? Sim, no Algarve nem tão cedo. Faça a marcação.
Fica mas é em casa. Porque se não estiveres doente, ficas. Não vás. Fica em casa. Ninguém morre se não fores aos CTTs, ao banco, à farmácia, ao registo civil, à segurança social. O mundo não acaba. E se acabar, é só para ti. E depois, quem sabem … talvez existam mais mundos!
Com a canícula, se não forem umas arvorezitas nas imediações, é de ficar com os miolos torrados quer pelo sol quer pela paciência, se, entretanto, não for acometido por uma congestão cerebral, coisa comum nas paradas militares. Se o militar desmaia, ainda se salva.
Que importa se tiveres uma descida de glicémia, uma subida de tensão, um joelho que não se aguenta. O melhor é desmaiar. Mas cuidado que o chão está sujo, as pessoas, passadas horas, vomitam, urinam atrás das pilastras.
É só para levantar um documento. Tem de marcar. Mas recebi informação para vir levantar …. Só com marcação.

sexta-feira, 26 de junho de 2020



A EMPATIA DE FREDERICO
Frederico regressava da escola sempre a saltitar, feliz, com um sorriso aberto, porém, naquele dia vinha a passo vagaroso, taciturno, macambúzio. O que se terá passado, interrogou-se a mãe; alguma briga com um companheiro. Não lhe perguntaria nada ainda; ele mesmo acabaria por fazê-lo de moto-próprio, sem pressões. Quando estivesse pronto.
Quando chegou a hora do jantar, a criança continuava assim calada, introvertida, tristonha mesmo. Afastando o prato com o braço, disse que era muita comida; não tinha fome. A mãe estranhou. Frederico sempre comia bem. Que se passa, atreveu-se, por fim, a perguntar. A professora hoje disse que há muita fome no mundo; que todos os dias morrem muitos meninos sem comida, que até ficam cegos por falta de alimentos que contenham vitaminas. É verdade, respondeu a mãe, também ela agora entristecida. Então se eu der metade desta comida a um desses meninos, ele já não fica com tanta fome e eu fico bem na mesma. Meninos cegos! Que horror! Frederico sofria. A professora tinha feito bem o seu papel: é preciso consciencializar as crianças logo no banco da escola, antes que se tornem indiferentes. Essa triste e vergonhosa realidade, esse flagelo, passa-se muito longe daqui, disse a mãe, os meninos deste país não passam fome, porque há o banco alimentar e outras organizações que não deixam que isso aconteça.
_Isso eu sei, porque sei que a mãe faz voluntariado nessas organizações; um dia até fui contigo, lembras-te mãe?
_ Claro que me lembro. esses meninos e toda a população, que está a adoecer e a morrer por falta de alimento suficiente, estão em continentes muito distantes: em África, na Ásia, na América Latina, por exemplo, e há organizações a trabalhar para minimizar essa tragédia, mas nunca é suficiente; é preciso muito mais empenhamento dos governos e nem sempre isso acontece. E agora, antes que fique frio, vamos lá mas é a comer o jantar e continuar a fazer o nosso melhor para minimizar essa calamidade. Já a minha avó dizia: muitos poucos fazem muito.
_ Quando for grande, quero ser distribuidor de comida nesses países todos, para que ninguém tenha fome e fique cego, disse Frederico, sentindo-se mais animado com esta resolução e começando a comer a sopa com apetite, para ser grande mais depressa, acrescentou.
Quem ficou muito pensativa foi a mãe. Por seu lado fazia o que podia, mas não era por isso que podia dormir descansada a esse respeito. Sabe bem que a concentração da riqueza está nas mãos de poucos, dos que nunca sentiram a fome ou se a sentiram, têm vergonha disso e só a querem esquecer, incapazes de se colocar no lugar do outro, de sentir empatia por esses mártires que são aos milhões, vítimas anónimas e ignoradas, impotentes para se revoltarem. A economia mundial e quem a governa tem na mão a faca e o queijo que devoram até ao vómito, sem solidariedade, aceitando o flagelo da miséria e da fome come se fossem uma fatalidade, quando está nas mãos deles estancá-la.
Do lado do vulgo alimentado, não bastam os bons sentimentos: é preciso deixar de silenciar a fome e a morte só para que não lhes perturbem o sono, enquanto os vampiros do mundo económico sugam tudo o que podem e não abdicam de nada. Os famintos não são gente, exclamam!
Dum lado flores, sedas, perfumes, diamantes, peles, rendas, whisky, comida que vomitam por excesso, no outro lado, que pode ser literalmente ao lado, gemidos de fome, lamentos de dor e de angústia de mãe que nada tem, nem mesmo as gotas de sal que se lhe desprendiam dos olhos, secaram há muito.
Como pode o sol continuar a brilhar para as crianças saudáveis e bem nutridas, se perde a luz e o brilho para as famigeradas doentes e famintas, na contingência de deixarem simplesmente de Ser.
Dormiu pouco e mal, ecoando-lhe na cabeça alguns versos de uma canção de Zeca Afonso: Eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada!
Quando acordou, a primeira palavra que articulou, quase inconscientemente foi: Vampiros. Era o nome da canção.
Ao que parece os vampiros continuam por todo o lado, sequiosos, mas não cegos e famintos.
Ao pequeno-almoço, Frederico parecia mais pálido do que era habitual; também ele não teria dormido bem. 
_Mãe, _disse,_ a professora também contou que esses meninos não vão à escola, porque não têm saúde nem força para isso. _Infelizmente, meu filho, as crianças dessas famílias em estado de pobreza raramente frequentam a escola, por diversas razões e por vezes nem as há ou ficam a distâncias enormes. 
_Então como é que lêem os livros de histórias?_ espanta-se Frederico. 
_Não lêem, não tem livros de histórias, salvo os que periodicamente recolhemos e enviamos aos Centros de Ajuda; creio que serão sempre insuficientes. 
_Ó mãe, será que, quando crescer e for distribuidor de comida nesses países, posso levar os meus livros de histórias e ler para os meninos? _Sabes, Frederico, tenho esperança de que haja uma grande mudança no mundo, que haja investimento inteligente na educação dessas crianças, que é uma forma de as retirar da pobreza, e que tal já não seja necessário quando fores crescido; mas despacha-te para chegarmos a horas.
A professora tivera uma atitude pedagógica e, diria mesmo, profilática. Dar-lhe-ei os parabéns hoje mesmo e, quem sabe, se não faremos uma reunião de pais e de ideias para ajudar a debelar a fome por este mundo afora. Ia a mãe pensando, enquanto segurava pela mão um menino com empatia pelo sofrimento de outros meninos. Já a sua avó dizia: “de pequenino se torce o pepino”. Compreendia o sentido, mas nunca tinha percebido isso do torcer. Coisas antigas, certamente, mas que conservam um fundo verdadeiro, sempre actual.


2019

terça-feira, 16 de junho de 2020

"É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa


SÃO ÀS CETENAS
São às centenas. Velhos, menos velhos, menos jovens, brancos, pretos, castanhos, outras cores, várias nacionalidades. As filas são de quilómetros, que a distância social impõe margem maior entre eles. Esperam horas por um prato de sopa. Alguns sentam-se no chão, não vão eles cair, desmaiar, e perder o lugar que tanto custa a manter. Um leva consigo uma velha cadeira de plástico, que arrasta a cada dois metros e onde se senta, diz ele, por problemas nos joelhos.
Impossível saber o que pensam, enquanto esperam. Nem se sabe o que esperam depois da sopa. Talvez outra sopa. Talvez que o melhor seja ingressar logo noutra fila para o jantar, já que também não têm para onde ir. Enquanto o que fazem, porventura algum pensará: “Não sou o único, mas isto é terrível, além de degradante. Todo o ser humano deveria ter o suficiente para comer, para viver.” 
Já que os homens não o pretendem fazer, quem sabe se não é esse o equilíbrio que a sábia natureza tenta manter, com diferentes calamidades, terramotos, pestes, guerras, que estas sendo de natureza humana não deixam de ser “plantadas” na sua génese para o mesmo fim.
O escritor Alberto Moravia, na sua obra “O Desprezo”, escreveu que todos os homens deveriam ter, “naturalmente”, uma casa, e foi nessa ânsia de o conseguir, que levou o protagonista ao desespero, tudo perdendo: a família e a própria vida.
Um homem moreno, de compleição média, olha, quiçá sem ver, dois jacarandás em flor ou lembrará a própria terra de onde terão vindo, ele e a planta, actuando a lembrança como que um filtro, para escapar à angústia duma existência que, de momento, lhe parece cristalizada no tempo, cativa de circunstâncias globais. 
Ainda não há muito, quando tinha trabalho, passava por aquela rua, sem saber da existência dos jacarandás, como se esse hábito os camuflasse; agora não pode ignorá-los: a seus pés, um manto roxo liberta um líquido pegajoso e os seus sapatos ficam presos à calçada, tal como a sua vida. Tenta manter afastados aqueles pensamentos de desamparo, olhando de vez em quando para os escassos passantes, onde sobressai uma rapariga de ancas ondulantes e, quem sabe, bonita. Pensou na mulher; no seu amor sossegado, com um contentamento triste, e na filha, que dependem dele, lá longe. A fila espaçada, vai avançando e isso distrai-o, para que as lágrimas não molhem a máscara, o que não evita que murmure: “e se nunca mais poder ir-me embora? “.
Sente-se prisioneiro, numa impotência e solidão que se adensam no ambiente pesado da aceitação sem consolo. Precisa de viver; precisa de um prato de sopa para continuar a abrigar em si um fiapo de esperança, povoada de recordações, fantasias, talvez, mas necessárias para não cair no medo, quando tudo parece boiar numa angústia dolorosa dum homem só.
Um dia, um velho quase andrajoso, que o antecedia na fila, comentara, muito alto, que “dantes” isto não era nada assim, que mesmo as afinidades entre eles eram diferentes, que se riam, que contavam anedotas e até combinavam “coisas” ali mesmo. Agora já não. Era tudo um desconforto, “tudo num silêncio que não se aguenta”.
Ao ouvi-lo, não conseguiu sentir pelo outro nem repulsa nem simpatia, apesar de, por “obra do destino” e, quem sabe, de muitos “mal” acasos, estar à espera de um prato de sopa da mesma panela. Talvez nem pelos outros, de aparências tão diversas, distanciados nos dois metros regulamentares, de feições sem relevo debaixo das máscaras. Dói-lhe “sentir” apenas a sua vida e não se condoer com aqueles destinos, simultaneamente comuns, porém, com certeza, tão diversos. “Dantes” ter-se-ia condoído.
O sol brilhava, sem vergonha, e no placard de uma farmácia indica 23 graus, mas ele tirita dentro do blusão, como se sentisse a vida a escorrer, muda. E sem respostas.
De súbito, num qualquer segundo andar dos prédios fronteiros, a música brotou, como se quisesse desabafar sobre eles. Era uma canção alegre, e aquela vibração teve o condão de lhe apertar o peito cheio de lembranças.
A fila avançava, mas ele parou: a solidão envolveu-o ainda mais, e na memória não encontrou passado nem futuro: estava preso ao chão. Ao tempo. A uma eternidade. 
_Então, amigo, se não avança, avanço eu.

sábado, 6 de junho de 2020



ANSIEDADES DE UMA VELHA – III – A PRIMEIRA SAÍDA CONVÍVIO ( e IV)

Judite não tem piscina e mora longe da praia, por isso tenta descobrir o melhor local da casa, o mais fresco, para passar o verão, que antecipou a chegada e já se mostra tão ardente como uma donzela com cio.

Agora que as portas para a vida foram abertas, a juventude e os adultos jovens desabelharam logo; enchem praias, albufeiras, estacadas, rios e ribeiras, riachos, canais, nascentes: tudo onde possam encontrar água.

Ela e as amigas, velhas como ela, encontraram-se, tristemente, num primeiro e breve convívio e, embora quisessem aparentar uma grande alegria de se reverem, não lhe pareceu suficientemente genuína.

Eram cinco, tiveram que se espalhar por uma esplanada, que não sendo grande, já estava ocupada por quatro pessoas: duas em cada mesa, ao centro da esplanada, e elas as cinco tiveram que se dividir em dois grupos: três numa ponta, duas noutra.

Uma reunião-convívio sem graça, sem saberem o que dizer, já que não valia a pena falar no passado, muito menos no futuro e quanto ao presente, para os velhos, é o que se vê.

Pareceram-lhe cansadas, psicologicamente esgotadas, como unidades militares abandonadas à sua sorte e um pouco desnorteadas.

Acabaram por se juntar numa única mesa: ficaram de comparecer dez e afinal eram só cinco. As outras não vieram por não conseguirem ainda, ou antes, já, sair do buraco: treme-lhes as pernas quando chegam à porta. Os automóveis de umas avariaram, de outras têm a bateria descarregada, desculpa, talvez, outras ainda nem se atreveram a arrancar, lembrando umas adolescentes vacilantes antes do primeiro encontro amoroso, não controlam o tremelique que lhes toma conta das mãos, e os dentes, que tentam manter apertados, batem desobedientes. O coração, desse nem se fala, descompassado, a garganta apertada, deram meia volta e enfiaram-se de novo no buraco; talvez para a próxima. A ver vamos.

Às que compareceram, faltou-lhes a espontaneidade habitual: as máscaras pareciam causar uma barreira; a Georgina ainda se atreveu a contar uma piada, mas os sorrisos, ocultos pelas máscaras, e o olhar pelos óculos de sol, não estimularam uma enfiada de ditos jocosas, como era hábito.

A Laurinda que é dura de ouvido e que, para perceber alguma coisa, tem de fixar o olhar nos lábios do falante, sentiu-se perdida, ausente, excluída.

Enfim, uma reunião-convívio sem graça, sem saberem já o que dizer.

Aquela batalha sem frente visível, com um inimigo que se entretém a fazer fosquinhas, tirou-lhes a alegria do abraço.

Aparentava mais uma primeira saída, cautelosa, depois de uma longa convalescença.

É preciso recomeçar, olear as rodas enferrujadas e para isso não há como a amizade e a alegria de viver.

Não há idade para recomeçar. Por isso, Judite está já a alinhavar o próximo encontro: uma tertúlia, ao ar livre, num local com pré-marcação, de preferência só para as dez; têm de vir todas. Se sobreviveram ao mais difícil … há que sair da toca. A união faz a força. A amizade faz o resto.

Haverá histórias contadas, histórias e poemas lidos. E talvez um teatrinho.

O que Judite espera que já esteja em produção cosmética, é um baton com brilho, para que, depois da máscara retirada, o brilho dos lábios se mantenha e o sorriso das amigas, e o seu, fique mais brilhante. Enquanto não o encontrar à venda, vai sugerir que levem viseiras e assim podem usar o baton normal. E o respectivo sorriso.

20.05.2020

 



ANSIEDADES DUMA VELHA - IV

Judite, como todas as velhas, para não ficar maluca a pensar na própria vida, por vezes põe-se a magicar na vida dos outros; não propriamente na vida de X ou de Y, mas no geral:  ontem à noite deu-lhe para magicar na situação duma específica classe profissional, cujos “trabalhadores” viram a sua vida totalmente suspensa durante a fase mais agressiva da pandemia, porém, pensou: nesse ínterim terão certamente aproveitado o tempo para converter  ou reconverter a actividade  ou efectuado sérias alterações. Depois de matutar um bocado,  deu-lhe para se fixar a sério nessa classe que se vê agora tão desprotegida, que é a  dos carteiristas: grandes grupos, bem organizados e estruturados, altamente profissionais e profissionalizados, envolvendo tanta gente, que de um dia para o outro, num abrir e fechar de olhos, assim sem mais nem menos ... viram a vidinha a fugir-lhes debaixo dos pés ... devem ter tido ganas de se suicidarem!  Tão hábil treino assim perdido, tanta gente "desempregada" ... que lhes fazer? Formariam empresas ou estariam, cada um por si, inscritos nas Finanças e na Segurança Social como trabalhadores independentes? Por outro lado, Judite sossega:  a maioria teria certamente um bom pé de meia e não deixaria de acudir aos habilidosos mais recentes, que sempre são uma mais-valia para o que der e vier. Terão sido uns meses de reestruturação noutros moldes, porque mesmo com a abertura dos centros comerciais a distância social não facilita a descrição com que o trabalho era tão impecavelmente executado. Também nas passadeiras de peões nas grandes cidades, o negócio já não vai ser o mesmo, pelo menos por enquanto. Canseiras ...

Ainda começou por colocar a hipótese de "caçarem" à  linha, mas para isso teriam que alugar vários primeiros andares, em sítios estratégicos: vem uma pessoa a passar "caçam-lhe” a mala com uma cana de pesca especial,  a pessoa olha à volta à procura da mala e não vê nada; então com a máscara ainda menos, que, parecendo que não, rouba uma boa percentagem da visibilidade.  Mas esta deve ser uma daquelas hipóteses muito parvas ...

E principiou a divagar como encontraria outras nuances para os coitados dos carteiristas, que nem era pessoal agressivo … pelo contrário, sempre muito educados, pedindo sempre desculpa por qualquer encontrão mais rijo.

Daí passou à cata dos tão apregoados “benefícios” que o vírus veio mostrar …, mas adormeceu antes mesmo de ter encontrado algum … a não ser …Já não dá. Adormeceu mesmo! Parece que esta técnica resulta. Enfim, uma técnica como outra qualquer.

terça-feira, 2 de junho de 2020


TEORIA “COISA” DA NATUREZA?
A célebre frase “O homem é o lobo do homem”, "homo homini lupus", frase do dramaturgo romano Plautus, (254-184 a.C.) embora continue, infelizmente, verdadeira tem uma nova versão: o homem é o vírus do homem. Se sabíamos já que cada humano pode albergar em si um assassino latente, ideia que causa perplexidade, porque repugnante e transpõe a fronteira moral, hoje já não restam dúvidas da potencial letalidade que encerra qualquer humano portador do mais moderno e potente vírus. Pode, numa conjuntura negra, apenas pela sua existência e proximidade, contagiar e, assim, eventualmente “assassinar” pai, mãe, filho, uma família inteira, antes de se “suicidar” involuntariamente, e tudo isto numa ignorância própria de uma humanidade que tudo sabe, que teima em não aceitar poder ser joguete do que quer que seja, e que se tem visto agora subjugado à tal “coisa”, como se cometesse aqueles “assassinatos” e o próprio suicídio, enquanto sonha ou sonambula.
É o que se chama uma coisa tramada. Não no sentido figurativo. Foi tramada e estamos tramados, de uma maneira ou de outra. Por quem ou por “quens” … soubéssemos nós … Ou será melhor deambularmos pelo território “inocente” das hipóteses, quiçá parvas, todavia certas?
E se for coisa “apenas” da natureza, que tem a capacidade de nos maravilhar e também de nos horrorizar, nesta existência tão precária como é a humana, em que a criatura “desaparece” e tudo continua como se continuasse vivente? Será que a crueldade que vive no subsolo do ser humano é “herdada” da natureza da Mãe Terra ou doutra? Será ela, a natureza, tão perversa ou estará só a lutar pelos seus direitos, eliminando quem lhe fizer frente, tal como o pode ter feito com os dinossauros?
Mais uma hipótese parva, que diferença faz!? Os desvaneios da imaginação não têm limites e a parvoíce também não, porque, ao que parece, ambos são induzidos pela insensatez.