ANSIEDADES DUMA VELHA - IX
São assuntos que a bem dizer já não deveriam ocupar a
cabeça duma velha, mas mesmo sem ela perceber porquê ocupam.
É que há jovens que troçam de coisas obsoletas na
perspectiva deles, mas que alguns velhos ainda preservam e usam, quer se trate
de objectos ou de hábitos, porém àqueles só lhes serve de risota. Até mesmo o sexo,
para uma determinada faixa de jovens, não faz qualquer sentido; o que faz sentido é o telemóvel donde
até sexo podem obter, que a não ser assim doutra maneira “dá muito trabalho” e
para quem como eles está envolvido na revolução tecnológica, há que não perder
tempo com animalidades e chatices.
Foi aí que Judite meditou numa geração, talvez muito
próxima, em que os futuros jovens, mesmo assim, irão troçar destes, talvez
dizendo: Ah, ah, que ridículo que era dois indivíduos de sexo oposto terem que se engalfinhar para
vocês nascerem. Já vimos filmes e eram bem ridículos. Nós não; nós nascemos no
laboratório e nunca vamos ter pais velhos para aturar e depois de muito velhos
mudar-lhes as fraldas e aturar-lhes a senilidade.
Enfim, talvez sós e revoltados, como acontece em todas as gerações, mas a juventude é uma doença curável e com muito raras recaídas.
Judite deu por si a ter estes pensamentos, como se
este assunto lhe importasse muito, mas a realidade é que há com cada pensamento
a atacá-la, que se lhes dá rédea até se
assusta com os disparates que se lhe deparam. Velhos! Jovens! Sexo! Para que
lhe havia de dar …
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