terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 

ANSIEDADES DUMA VELHA - IX

São assuntos que a bem dizer já não deveriam ocupar a cabeça duma velha, mas mesmo sem ela perceber porquê ocupam.

É que há jovens que troçam de coisas obsoletas na perspectiva deles, mas que alguns velhos ainda preservam e usam, quer se trate de objectos ou de hábitos, porém àqueles  só lhes serve de risota. Até mesmo o sexo, para uma determinada faixa de jovens, não faz qualquer  sentido; o que faz sentido é o telemóvel donde até sexo podem obter, que a não ser assim doutra maneira “dá muito trabalho” e para quem como eles está envolvido na revolução tecnológica, há que não perder tempo com animalidades e chatices.

Foi aí que Judite meditou numa geração, talvez muito próxima, em que os futuros jovens, mesmo assim, irão troçar destes, talvez dizendo: Ah, ah, que ridículo que era dois indivíduos  de sexo oposto terem que se engalfinhar para vocês nascerem. Já vimos filmes e eram bem ridículos. Nós não; nós nascemos no laboratório e nunca vamos ter pais velhos para aturar e depois de muito velhos mudar-lhes as fraldas e aturar-lhes a senilidade.

Enfim, talvez sós e revoltados, como acontece em todas as gerações, mas a juventude é uma doença curável e com muito raras recaídas.

Judite deu por si a ter estes pensamentos, como se este assunto lhe importasse muito, mas a realidade é que há com cada pensamento a atacá-la, que se lhes dá  rédea até se assusta com os disparates que se lhe deparam. Velhos! Jovens! Sexo! Para que lhe havia de dar …

 

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