CALENDÁRIO
Espanta-se como o calendário corre pressuroso, avaro de sentimentos para com o tempo que o percorre e o possui; o calendário é descartável, não sente o sabor acre das vidas que controla, não se desforra de infidelidades, de chantagens.
São números, datas que foram vidas repletas de sentimentos complexos, aturdidas pela juventude e por palavras inúteis.
Cada um tem o seu calendário pessoal: nascimentos, aniversários, casamentos, mortes, não necessariamente por esta ordem. Alegrias voláteis, como aves marinhas pousando sobre as vagas, dramas íntimos emaranhados nas contradições, dores agudas, nostalgias, sentimentos complexos, amores e desprezos. Calendários carregados de vidas que as chamas do tempo chamuscam e acabam por queimar sob a incompreensão ou a estupidez, às vezes do amor, mas tão pouco.
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