terça-feira, 11 de janeiro de 2022

 ANSIEDADES DE UMA VELHA – XVIII - Saudade

Alguém definiu a saudade como uma doença remotamente contraída por antigos marinheiros, nalgum lugar distante e que, obviamente, estaria ligada às distâncias. Judite ficou a pensar nessa definição e noutras de que já nem se lembra; na sua opinião, há tantas "saudades", quantos os saudadosos. Quem não ouviu, ou disse, " Que saudades da minha infância … Que saudades dos tempos em que ... Que saudades disto ... Que saudades daquilo... desta ou daquela pessoa ...
Pode ser uma nostalgia … uma mágoa que aperta … uma melancolia … ou vagas memórias … Porém, Judite crê que pior do que isso tudo é a saudade do que nunca se teve. A saudade de alguém que todos os dias vemos e que lá não está e, sobretudo, a saudade de alguém que julgávamos saber quem era e que já não sabemos quem é.
Seremos também nós a saudade de alguém?
É especialmente nesta última questão que Judite se fixa. E quando tal acontece, o que sucede é que interrogações como esta, parecem estar grávidas: sempre que lhe surge uma vaga hipótese de resposta, logo é alertada para o "grito" de outra, e de outra. Até que, já meio atordoada, Judite exclama: Chega! Mas depois cai em si, e considera que, sempre que pronuncia ou escreve "Chega" ou "chega", tem que fazer uma ressalva: a política não é para aqui chamada!

Obrigam-nos a fazer com cada ressalva!

Sem comentários:

Enviar um comentário