sábado, 17 de outubro de 2009



Uma ovelha Generosa
Era uma ovelha muito generosa. Sabem o que é ser generoso? É gostar de dar, dar por prazer. Pois esta ovelha era mesmo muito generosa. Dava lã. Dava lã, quando lhe pediam. Vinha uma velhinha e pedia-lhe um xailinho de lã para o Inverno. A ovelha dava. Vinha uma menina e pedia-lhe um carapuço de lã para ir para à escola. A ovelha dava. Vinha um rapaz e pedia-lhe um cachecol de lã para ir à bola. A ovelha dava. Vinha uma senhora e pedia-lhe umas meias de lã para trazer por casa. A ovelha dava.
- Ó ovelha, não achas de mais? Xailes, carapuços, cachecóis, meias... É só dar, dar...
- Não se ralem - respondia a ovelha. - Vocês não aprenderam na escola que a vaca dá leite e a ovelha dá lã? É o que eu estou a fazer.
Apareceu a Dona Carlota, muito afadigada:
- Eu só queria um novelozinho para fazer um saco para a botija. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Firmina, muito preocupada:
- Eu só queria um novelozinho para uma pega para a cozinha. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
Veio a Dona Alda, muito atarantada:
- Eu só queria um novelozinho para acabar uma manta. Ainda chega? Pois claro que chegava. A ovelha a dar nunca se cansava.
E eram coletes, camisolas, golas, golinhas, luvas... que a gente até estranhava que a lã se lhe não acabasse. A ovelha sorria e tranquilizava: - Não acaba. Nunca acaba. Conhecem aquele ditado: "Quem dá por bem, muito lhe cresce também"? Pois é o que eu faço.
E a ovelha generosa lá foi atender uma avó, que precisava de um novelo para um casaquinho de bebé, o seu primeiro neto que estava para nascer...
António Torrado
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Ninguem nasce leitor. A educação para a leitura inicia-se ainda antes da promessa de leitor abrir os olhos para o mundo. Se a mãe tem por hábito ler em voz alta, essa cadência já está inserida naquele pequeno cérebro pronto a receber trilhiões de informações para os quais vem "apetrechado"; se a mãe tem hábitos de leitura "silenciosos" e introspectivos, porventura, essa aptência estará inerida no ser pequeno ser, algures numa célula cinza ou, quem sabe, tricolor.

Infelizmente, ou talvez não, a aptidão para a leitura não se desenvolve institivamente como o comer ou por mimetismo como o andar ou o falar. Terá que ter como introdução a aprendizagem da leitura, em princípio coincidente com a lingua materna.

Adquirida a competência da leitura tal não torna leitor alguém que aprende a ler e a escrever e aí pode-se ficar pela eliteracia quando essa competência não é treinada suficientemente. E nem sempre é fácil incutir o gosto pela leitura dado não ser possível inseri-lo junto com as vitaminas para a falta de apetite.
Qualquer indivíduo pode sentir-se atraído pela leitura pelos mais diversos motivos